Na Noruega, arqueólogos encontram navio de 700 d.C. enterrado em ilha

Pesquisadores encontraram três trincheiras e nelas desenterraram fragmentos de madeiras e rebites que podem ter feito parte de embarcação

Em um monte funerário na ilha norueguesa de Leka, uma escavação recente revelou segredos surpreendentes que desafiam a história e reescrevem a narrativa viking. Por séculos, acreditava-se que o local abrigava os restos mortais do rei Herlaug e seus companheiros, que teriam se suicidado em massa para evitar a derrota em batalha.

No entanto, a pesquisa realizada no verão passado por arqueólogos e detectores de metais provou algo completamente diferente: o que jaz sob o monte é um navio viking, datado de cerca de 700 d.C., tornando-o o mais antigo exemplo conhecido de um enterro de navio na Escandinávia.

A descoberta derruba a lenda de Herlaug e seu suicídio, mas revela algo muito mais significativo: a perícia naval e a tradição marítima dos povos escandinavos do século 8. O navio, embora deteriorado, apresenta indícios de que era capaz de navegar pelo Mar do Norte, demonstrando a proeza marítima da época.

A datação por radiocarbono da madeira e do carvão vegetal encontrados no local confirma a antiguidade do navio, colocando-o bem antes da Era Viking, que se estendeu de 793 d.C. a 1066 d.C. Essa descoberta realinha a tradição de enterros de navios na Noruega com exemplos precoces como os de Valsgärde, na Suécia, e Sutton Hoo, na Inglaterra, segundo o portal O Globo.

O túmulo do navio em antigo mapa – Reprodução / P.H. Sommerschild

Pistas marítimas

O estudo, liderado pelo arqueólogo Geir Grønnesby da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia, revela pontos sobre a vida e a tecnologia dos vikings antes da era mais conhecida. A embarcação, com tamanho ainda incerto (entre 39 e 46 pés, de acordo com os critérios utilizados pelos arqueólogos), oferece pistas sobre a construção naval e a capacidade marítima da época.

Não sabemos se o navio era oceânico, ou seja, se cruzava o Mar do Norte até a Inglaterra”, disse Grønnesby ao The New York Times. “Mas ele tinha uma competência marítima que permitia ir ao longo da costa até o continente”.

A descoberta em Leka é apenas um exemplo dos numerosos montes funerários espalhados pela Noruega. Estima-se que existam quase 2.300 desses montes, alguns com histórias lendárias como a do cão Saurs, que governou Inderøy após ser imbuído de sabedoria mágica.

Embora nem todos os montes abriguem navios, a tradição de enterrar os mortos em embarcações era comum na Escandinávia, com os montes de pedra e solo servindo como túmulos monumentais para a elite. Grønnesby afirma que muitos desses montes eram símbolos de riqueza e prestígio, visíveis para viajantes como forma de ostentar o poder de seus construtores.

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